sexta-feira, 30 de maio de 2008

Em alta
























Vida de macaco pro alto,
Agora porque cargas d’água é preciso focar o “de galho em galho” eu não entendo.
É só vida de macaco e pronto sô.
Coçar a bunda e nada de rabo.
Manhã de domingo, catar piolho na cuca mais próxima...
Ah! Isso é o que há.
Quero vida de macaco pro alto!
Monogamia de urubu preto,
Arre, que lá do alto dá pra ocê ver é tudo mesmo,
e quanto mais se aumenta a visão
mais quero é você do meu lado e só.
Corrida de saco entre bailarinas ausentes...
Um feriado em montes claros,
vou me chegar no centro e ver as sacolas voarem
e nomeá-las como dançarinas,
vou transforma-las em estrelinhas quando no alto,
vou me sentar no meio fio ao lado do Mimi
e diagnosticar sua nostalgia trágica...

Ê saudade dessa vida de macaco em alta!

Apaixonada por um tédio...

“O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga”

cinéfila que sou...

sempre na primeira fileira do cinema,
sempre na sessão dos bons filmes.
Pois que mude o roteiro e a adaptação,
Adequando num mundo em que Truffaut é um tédio,

Gosto dos originais!






... mas olha eu aqui adaptando o meu roteiro mais uma vez...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Só de pensar que sabe se esquece...

Se julga entendida
[Tédio]
Se julga inocente
[Tédio]
Se julga vítima
[Tédio]
Lição de moral? Por acaso estou no colegial?
Ah! Entendi, brincando de mãe. Está tudo bem por ai?

Certa? Você? Bom pra ti!

Você é puro tédio!

We accept you, one of us! One of us! We accept you, one of us!









...but I don't give a fuck





“Nietzsche em seu livro, Assim Falou Zaratustra, questiona o homem como um ser pensante e não como um ser que aceite situações, e isso é verdade, mesmo pq as coisas elas nos parecem absurdas ou mais, pq delas temos um conhecimento parcial e nos somos completamente ignorantes quando a ordem e a coerência da natureza como um todo.”



Ciúmes

Eu disse que não,
E não vou!
Não quero achar o que procuro.
Fico na minha então.
Se um dia tiver que saber
que seus olhos não são só meus,
que saiba pronta pro fim.

Que dele não passo!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

RetrATO


Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-de-Deus. (...)E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita(...)

Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum (...)

Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – "Nhinhinha, que é que você está fazendo?" – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - "Eu... to-u... fa-a-zendo". Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha?

Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: - "Menino pidão... Menino pidão..." Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: - "Menina grande... Menina grande..." Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: - "Deixa... Deixa..." – suasibilíssima, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, bater-lhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraças espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim.

Conversávamos, agora. Ela apreciava o casacão da noite. – "Cheiinhas!" – olhava as estrelas, deléveis, sobrehumanas. Chamava-as de "estrelinhas pia-pia". Repetia: - "Tudo nascendo!" – essa sua exclamação dileta, em muitas ocasiões, com o deferir de um sorriso. E o ar. Dizia que o ar estava com cheiro de lembrança. – "A gente não vê quando o vento se acaba..." Estava no quintal, vestidinha de amarelo. O que falava, às vezes era comum, a gente é que ouvia exagerado: - "Alturas de urubuir..." Não, dissera só: - "... altura de urubu não ir." O dedinho chegava quase no céu. Lembrou-se de: - "Jabuticaba de vem-mever..." Suspirava, depois: - "Eu quero ir para lá." – Aonde? – "Não sei" Aí, observou: - "O passarinho desapareceu de cantar..." De fato, o passarinho tinha estado cantando, e, no escorregar do tempo, eu pensava que não estivesse ouvindo; agora, ele se interrompera. Eu disse: - "A Avezinha." De por diante, Nhinhinha passou a chamar o sabiá de "Senhora Vizinha..." E tinha respostas mais longas: - "Eeu? Tou fazendo saudade." Outra hora falava-se de parentes já mortos, ela riu: - "Vou visitar eles..." Ralhei, dei conselhos, disse que ela estava com a lua. Olhou-me, zombaz, seus olhos muito perspectivos: - "Ele te xurugou?" Nunca mais vi Nhinhinha.

Sei, porém, que foi por aí que ela começou a fazer milagres.

(...)

(texto extraído do conto “ A Menina de Lá” de Guimarães Rosa)


Tudo o que quiser

Se hoje eu não puder ir à padaria,
me sento no bar,
me embebedo de água e sal,
um limão nem vai mal, mas...

Se eu não puder mais conversar,
garanto que me calo,
mas te ignoro n'alma.

Se eu não puder mais te ver,
juro que piro e não vou saber o que fazer.
Não vai ter bar que console o meu silêncio.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Suave

Suave, ela diz.
Instável, eu penso.
E ela ainda tenta se explicar,
Acha que ama.
Não!
Mente madura,
Boca imatura.
Não, ela não ama!
Não ama porque não sente,
Se fantasia lá
Mas nunca chega.
Ela tem um bom papo...
Se cala pra não transparecer.
Mal sabe ela que leio olhares
E o dela não sabe a hora de calar.
Vai chegar um dia que isso vai passar.
Pra ela, nunca pra mim.

Siamesas


Quando deu por si, o seu sorriso estava preso ao dela.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Por um triz


Como num fio, a vida recebe sua continuidade e se equilibra.
Nascemos de um nó,
Crescemos dando corda.
Na solidão o fio se parte. È do nada que vem a queda.
Amamos quando, de olhos fechados, permanecemos eretos no tal fio.
Entre amigos, os pés já não o tocam mais. Desnecessário se faz o fio.
Na loucura, criamos laços.
Na sanidade, caímos em redes de segurança logo no primeiro passo.
Por um triz nos encostamos num dia feliz.
Por um triz nos encontramos fudidos e lascados.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

- Licença concedida!

Muita sede pra pouca água. Muito papo pra pouco tempo. Sono? Não, não é necessário. É necessário conhecimento. Se ficar aqui comigo um pouco mais, te conheço um pouco mais.

Quero beber dessa água toda. A ressaca veio cedo demais, e eu quero tudo sim.

Posso?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

È o fim do caminho


Só sujei um pouco a blusa. Também, blusa branca, álcool no sangue e passeio de pedras! Culpa desse pé torto que não sabe pra onde vai. Mas já me levantei, mais uns 3 passos e estou no carro. Penso no torpor barato de hoje que vou pagar caro amanhã. Amanhã? Mas hoje é amanhã, e não me lembro o que fiz com o meu hoje!

É de pedra sim. É de pedra após pedra o passeio que ele segue em direção ao seu carro. Ta próximo sim, esta já bem próximo de acabar a sua noite. De chegar em sua casa e capotar na cama.

Mas por enquanto segue com seus passos contínuos nesse passeio de pedra. Se lembra do barulho das duas pedras de gelo caindo no whisky, pareciam flutuar uma encima da outra. Em seu primeiro copo elas viraram água, no segundo quase, no terceiro elas permaneceram pedras. Não consegue se lembrar do quarto ou se houve quinto...

Esta baixo o som, já esta bem longe daquele lugar que se entorpeceu de fumaça e o fez esquecer do vento e do tempo. Se lembra que a primeira era loira com bonitos olhos e um batom vermelho, a segunda talvez, da terceira já não se lembra mais, mas ainda sente o hálito de álcool da quinta ou oitava.

É de pedra sim, é de pedra o coração de quem não se lembra e se satisfaz, de quem não entende que o hálito muda pra quem ama e que as pedras não estão uma na frente da outra e sim do lado, elas se seguem uma do lado da outra. É de pedra o coração de quem pensa que quanto mais longe mais perto, de quem procura culpados e se esquece de si.

É de pedra o coração de quem vive o amanhã e perde o seu hoje.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Vida de um.


Ele era o segundo, filho de três
E se sentia mal por isso
Sempre querendo ser visto
Se esforçando muito para não aparecer.

Ele era o segundo, filho de três
E se sentia bem por isso
Sempre levando a balança pro centro
Se recolhendo com o que não era seu.

Ele era o segundo de três
E se sentia mal por isso
Sempre levando a balança pro canto
Se recolhendo com o que era seu.

Ele era o segundo de três
E se sentia bem por isso
Sempre sendo visto
Se esforçando para o bem querer.


Corria todo final de semana, se escondia sempre na mesma gruta, mascava sempre o mesmo chiclete e fumava a mesma marca de cigarros a anos. Rotina como outra qualquer, acordava cedo ao meio dia, almoço no café da manhã, bom dia ao que chegava da escola, telefonema ao que vinha do trabalho com o almoço.
- carne ou frango hoje?
- hoje estou mais para um mar de rosas!
Corrido o dia após as duas da tarde. Boa tarde e boa aula dos dois que só veria de noite. Quando longe, vivia seus devaneios. Quando em público, cheirava os olhares de inveja. Quando noite, conversas sem delongas eram bem vindas.
Amava a três e amava os dois.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Trilogia de apelos

Pelo sentimento

Ela vai
Mas, sempre
Volta.
A gente se gosta,
Não precisa-se
De nenhuma
Resposta precisa.
Só se gosta.
Não se explica
De onde veio,
Pra onde vai.
Não se expira,
Talvez um dia
Mas por hoje
Cabe
Um nunca.

Pelo envolvimento

Padrão, tudo padrão. Segue-se o fluxo, medem-se as forças, diminui os cavalos pra não chocar ninguém. Regulada as mãos, controlada as bocas, disparado os olhos.
Preciso lavar as minhas roupas em minha casa e você na sua. Num final de semanal nos veremos hoje à noite.
Estou onde me cabe, mas queria mesmo é tudo.

Por qualquer razão

Eu sei. Eu não sei de nada.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

“No varal das 22 fadas nuas lourinhas”

Ao passo que sigo indo, me levo a lugar algum. Não quero mais sigo indo, na maré com o norte virado pro sul.
Quem explica o meu querer tão facilmente se esconder pro inconsciente aparecer? Quem explica esse inconsciente te querer só para me ver sofrer?
Hoje me sinto um lixo, fui eu quem me quis assim. Amanhã não quero ser eu se for pra permanecer em estado enérgico.


Hoje quero férias de mim, férias de tudo que vivo.

Fato, não vou te ver, vou acordar amanhã com ressaca de mim sem você!

Bom dia, e caso não te veja mais, boa tarde e boa noite!

domingo, 11 de maio de 2008

hoje é um dia. Um dia dela!


Hoje é dia. Dia de dar bom dia,
Porque o seu
São todos eles.
Todos aqueles dias, todos dias estes
Grandes que são.


Foi quem nasceu comigo
Foi quem criou comigo
Foi quem viveu comigo
É quem amo eternamente.


É única.

pra um depoimento...

A gente não sente realmente tudo que pensa que sente. A gente tem necessidade de sentir tudo que sente e simplesmente sente. Mas a gente sabe que é sublime como um começo perto do fim, e que não se explica o que te toca bem aqui!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Pasta de dentes

Sempre me esqueço da maldita pasta de dentes.
Uso a dele porque ele não se importa mesmo.
É só uma pasta de dentes! Mas odeio esquecer a pasta de dentes.
Odeio esquecer...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

“Posto que é chama”

Vou engolir o meu ‘também’, porque ele não convém. Eu te amo e ponto. Eu te amo sim, amo a fundo, amo além. Eu conheço esse amor, e sei o tanto que faz bem.
Só não sei o que fazer com ele.
Não sei se encho a sua bola e construímos esse mundo, ou se deixo a sua bola se encher sozinha e te alcanço a pés daqui.
Por hora, permaneço sua e afim. Paralisada bem aqui.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

“Alegria, era o que faltava em mim”

De antipática me tornei simpática, agora sou apática a tudo.
“Dizes-me tu severa musa”, porque afinal,
Se enroscas em mim, se não consigo te sentir?

Dentre um oceano, a parte de um todo não preciso ser, mas sou.
Me desprezo por quanto tempo nego meu não à vida.
Sou um pouco disso sim, mas não esqueço a simpatia. Te renego simpatia!

- Queria poder publicar o amor...
Queria sentir sem doar, queria ser vidro e não quebrar.
Transparente ao levitar, me mover até te amar. -

E por me de volta à sequidão que sou.
Quero mesmo este coração de pedra,
Quero mesmo uma ilusão de ótica, quero me entupir de vodka.

De cada trago sobrar um pouco
De cada trago soprar um pouco
De cada trago amar um pouco

Um pouco de ar, de luares dos novos tempos que... sei não...
Das alegrias que em meus lábios se secam.
Se rir porque chora.

Te vivo hoje, te despeço amanha, me desprezo no final da quarta-feira
Queria não querer saber, só pra contradizer.
Só para enfeitar de relevâncias uma vida cheia de ânsias